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Janeiro 2012

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Janeiro 2012


Desde de muito novo que me fascina a dimensão “Tempo”! qual a razão porque se criaram máquinas para medir e estandardizar o tempo, se ele é sempre muito mais comandado pelas emoções, do que por qualquer unidade universalmente aceite.
Terminaram há dias os dois europeus de sala (masculinos e femininos) que a FPH organizou em Gondomar. Foram pouco mais de quatro dias, mas estou certo que, para a grande maioria dos mortais, as emoções e sensações que vivi, corresponderiam a uma carga superior a vários meses.
Foram situações de grande intensidade e das mais variadas proveniências. É certamente por este tipo de vivências que pertencer a uma federação, e estar envolvido nestas aventuras, se torna numa oportunidade única de aprender e nos enriquecermos, não apenas como desportistas, mas acima de tudo como cidadãos.
Em pouco mais de setenta horas exaltamos com as vitórias, sofremos com as frustrações dos maus resultados, enervamo-nos com o risco e a desilusão do inesperado, rejubilamos com a adesão de quem não esperávamos, lamentámos a falta de quem era tido como certo, criamos expectativas, reformulamos decisões, inventamos cenários, sonhamos parcerias, desejamos o possível e o impossível.
No meio de todo este turbilhão de sensações e emoções, temos a família, o trabalho, os amigos, o país, os riscos de estar vivo, e tudo se mistura num caldeirão a ferver sobre um lume incontrolável.
Nem todos têm a possibilidade de aceder a tudo isto, por isso o Desporto na verdade não pode ser para todos, quem pode “amar” em simultâneo tantas coisas e de forma tão intensa.
Amador é aquele que ama, ser um desportista amador é aquele que ama os outros através do Desporto. No Hóquei em Portugal há muitos amantes, e se calhar só neste fim-de-semana esta realidade me pareceu indiscutível.
Porque razão tantos membros da família Hoquista se envolveram de forma totalmente voluntária na organização deste evento? Não sei responder, mas presumo porque sentiram o mesmo apelo que eu sinto quando conjugo todo o passado da nossa modalidade, com aquilo que eu sonho como futuro para todos nós.
O duplo europeu teve lugar ao mesmo tempo em Gondomar e S. Pedro da Cova e nos dois pavilhões juntaram-se centenas de pessoas a ver os jogos, mas acima de tudo a apoiar as selecções nacionais. Em S. Pedro da Cova não poderei esquecer a adesão da população local que foi fantástica, mas ainda de maior relevo foi o apoio que a comunidade do Hóquei de Lisboa disponibilizou. Ver tantos amigos de Lisboa e, em alguns dos casos, durante tantos dias foi muito importante para toda a equipa nacional.
Mas no Multiusos também esteve muita gente, cheguei a contar mais de quinhentas pessoas a presenciar os jogos de Portugal. Foi uma experiência fantástica que personifico no apoio incondicional e entusiasmado da Jovem Joana Silva que com um grupo de amigos de Lousada marcou presença constante e entusiasmada em todos os jogos de Portugal nos dois pavilhões.
Mas um campeonato vive fundamentalmente dos grandes momentos protagonizados pelos jogadores, treinadores e árbitros, e houve momentos de grande intensidade, choro, drama, tristeza, alegria, sorrisos, partilha, solidariedade, muita solidariedade, foi muito bom!! Valeu a pena o trabalho de toda a organização e das dezenas de voluntários.
Mas dos quatro dias dois momentos não deixam ainda hoje de voltar ao meu consciente, um deixarei apenas para mim, pelo menos para já. Mas o mais extraordinário foi o assistir, no início do jogo com a Turquia, ao cantar do Hino pela selecção feminina, foi de arrepiar, senti-me orgulhoso de ser português e pertencer à família do Hóquei nacional.
A todos que tornaram possível este memorável fim de semana, o meu Muito Obrigado!!!!!!!!

 

José Pedro Sarmento de Rebocho Lopes