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Julho 2011

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Julho 2011

 

É indiscutível que nas duas últimas décadas os resultados desportivos alcançados pelos atletas portugueses não têm parado de crescer, mais nas modalidades individuais que nas colectivas, e de uma forma impensável e quase inacreditável no futebol.

Esta situação, francamente positiva em toda a linha, é para uma modalidade como a nossa de certa forma preocupante. Nos últimos sete anos a FPH fez esforços enormes para também atingir patamares mais elevados nos rankings mundiais e europeus do Hóquei, mas não conseguimos atingir esses objectivos, não podemos esconder essa realidade.

A que se deve essa incapacidade? Muitas poderão ser as razões, certamente que não faltarão opiniões válidas na comunidade nacional do Hóquei. Na minha opinião apenas não se poderá dizer que foi por falta de investimento nas selecções. Terei de aceitar as críticas no que toca à falta de rentabilidade de algumas das estratégias, más escolhas e opções.

Não me escondo das responsabilidades que as Direcções a que presidi e presido têm nesta matéria. Participei em todas as escolhas dos planos de preparação das representações nacionais, fui, em muitos casos, o grande responsável pela escolha das equipas técnicas e pelo respeitar das normas que levaram à constituição dos critérios de participação nas diversas provas e nos seus programas de preparação.

Hoje não repetiria erros cometidos mas manteria a mesma filosofia geral: respeito pela importância da existência de apoios aos melhores atletas e treinadores como forma de desenvolver e motivar todos os agentes da modalidade.

A participação no Europeu da Catânia da semana passada cumpriu o objectivo principal definido em Maio, quando finalmente reunimos as condições objectivas para garantirmos a presença. E esse objectivo era garantir a permanência neste grupo. Mas como sempre com o desenrolar da competição, foi possível criar novas metas. E agora que terminou a operação Itália 2011, fico com uma sensação de frustração.

Depois da primeira vitória sobre a Eslováquia e do, para mim inesperado, empate sobre a Suíça, pensei que poderíamos chegar a discutir a subida de grupo, opinião que o seleccionador nacional desde inicio tinha colocado como seu desejo pessoal. Depois o resultado com a Croácia foi o limão sobre um bolo que poderia ter sido de gosto bem diferente.

Mas, como em tudo na vida, o importante é reflectir e preparar o futuro, não vale a pena chorar sobre lamentações, vale sim construir um futuro melhor, sobre o que já é passado, mas que não se pode esquecer.

O futuro, na minha opinião será muito diferente para o Hóquei português, terá de ser feito com uma nova geração de jogadores e certamente terá lugar num novo contexto de financiamento público ao Desporto. Por isso é claro para mim que nos seniores masculinos e femininos tudo passará cada vez mais pelo trabalho desenvolvido pelos clubes.

Se nos clubes se continuar a treinar pouco e mal, se os campeonatos nacionais mantiverem os níveis de competitividade e a filosofia conservadora de utilização de jogadores e a conflitualidade entre os diversos agentes, o destino de não atingirmos as desejadas vitórias manter-se-á.

Em 2012 teremos dois europeus no nosso país, serão as últimas provas dos actuais corpos gerentes da FPH. Iremos manter a mesma motivação que sempre demonstramos, e esperámos que todo este esforço, mesmo sem atingirmos os resultados esperados, não se venha a perder, pois se tal vier a acontecer, então sim sofreremos uma derrota irrecuperável.

 

José Pedro Sarmento de Rebocho Lopes