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Abril 2011
O Hóquei, quando bem jogado, é um espectáculo desportivo extraordinário. Felizmente hoje todos temos acesso por vários canais ao visionamento em directo e em diferido a muitos jogos tanto de selecções como de clubes com os melhores jogadores, técnicos e árbitros mundiais. No meu tempo de jogador apenas tínhamos a possibilidade de, a cada quatro anos, ver pequenos resumos dos jogos de cada Olimpíada. Esperávamos ansiosos por essas pequenas sequências de imagens, normalmente de golos, para tentarmos visualizar novas técnicas e movimentações tácticas que depois tentávamos transportar entusiasmados para o nosso reportório técnico, para as nossas equipas. Hoje felizmente todos os jogadores têm o acesso garantido ao que de mais recente existe no Hóquei mundial, tanto em termos técnicos como tácticos, quase em tempo real. Obviamente que esta facilidade é fantástica em todos os aspectos, garantindo a circulação constante de informação qualificada e criando cada vez uma maior “expertise”, ao que corresponde também uma maior exigência. Hoje nos nossos campos coabitam como espectadores da nossa modalidade dois tipos de pessoas, aquelas que ainda não aderiram aos novos sistemas de comunicação e que portanto se mantêm no registo antigo de ver o Hóquei apenas afiliados à lógica da paixão pelo seu clube, e um conjunto cada vez mais numeroso de quem tem acesso pela net ao que de melhor há no Hóquei mundial. Para os primeiros a evolução técnica e táctica dos jogadores e o desempenho do árbitro pouco interessa, o importante é ganhar, e ganhar agora! O que poderá acontecer amanhã pouco ou nada interessa, será vivido e resolvido a seu tempo. Vive-se o agora e já. Para os segundos ver Hóquei tornou-se num processo de “benchmarketing” em que a cada momento se analisa o que se vê aqui na “terrinha” com o que chega pela televisão ou pelo computador, tenta-se perceber o porquê das diferenças, o motivo da distância competitiva entre os portugueses e os outros e a razão porque não se consegue romper com a nossa forma tão caseira de viver o Hóquei. Quando hoje vamos a um jogo em Portugal e percebemos que o jogo se mantém com os pressupostos do jogo de há dez ou vinte anos atrás, fica a sensação que não estamos a aproveitar todos os meios que temos à disposição para evoluirmos. Claro que nem sempre nos surgem estas ideias de estagnação, mas o jogo de hoje tem muito pouco a ver com a stickada directa, com as jogadas de grande confronto físico ou de intimidação. Por vezes fica a sensação que todo o esforço de enviar equipas a participarem em campeonatos e torneios internacionais se perde com o regresso a Portugal. Temos de tentar que aquilo que se aprende nesses contactos vai ser mantido e preservado nas nossas provas nacionais, procurando que não apenas quem veste a camisola das quinas tem acesso a esse conhecimento, comportamentos e valores.
José Pedro Sarmento de Rebocho Lopes
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