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Março 2011
A vida é um ciclo de situações e emoções incontrolável, mesmo quando tudo parece estar irremediavelmente condenado e quase não encontramos razão para sorrir, eis que algo de inesperado surge, sabe-se lá de onde, e, apesar de eventualmente nada de substancial mudar a irreverência e o “nonsense” de uma imagem, de uma situação ou de pequena e inofensiva brincadeira, cria a boa disposição e a positividade para enfrentar a mais terrível dificuldade. Hoje é o primeiro dia de Abril e acabo por momentos de me esquecer de todas as dificuldades que a crise financeira e política do nosso país parece querer contaminar a nossa pequena e pacata modalidade. É verdade, no meio de imensas dúvidas sobre o que poderão vir a ser as próximas semanas e meses do Hóquei, se o Estado não retomar o habitual processo de negociação e fixação dos contrato programas, eis que aparece um telefonema da mais alta entidade mundial do Hóquei a confirmar o donativo de um milhão e trezentos mil Euros que um eventual doador teria disponibilizado para a FPH. Ainda conservo, já passadas algumas horas, um sorriso e uma sensação de grande leveza e boa disposição. Agora percebo porque se perpetua no tempo este dia das mentiras. Mas nada do que se passou no mês de Março se vai alterar ou desaparecer, quer da inexorável história dos nossos dias, nem nada mudará neste mais que inevitável percurso da crise. Este episódio foi apenas um alegre e bem-humorado interlúdio. Felizmente foi possível reatar a participação das selecções nacionais masculina e feminina nos Campeonatos Autonómicos de Espanha de Sub 16, que desde há alguns anos se tinha tornado num objectivo estratégico do desenvolvimento dos nossos grupos etários mais jovens e que durante algum tempo correu o risco de se tornar inviável. Este contacto com as representações das diversas autonomias Espanholas possui a enorme capacidade de provocar a mudança que todos aspiramos em Portugal. Os nossos jovens convivem e competem com jovens da mesma idade, o torneio é bastante compacto e competitivo e os nossos árbitros e treinadores têm uma possibilidade extraordinária para compararem conhecimentos e perceberem os caminhos a trilhar no futuro. Os resultados foram muito interessantes e demonstram que temos que continuar a caminhar este caminho, tentando que as indicações sobre o nosso valor e sobre as nossas fragilidades cheguem a todos os agentes da nossa modalidade para que se possam rentabilizar todos os esforços realizados nesta participação. Gostei muito de conhecer mais de perto o grupo de rapazes e raparigas que prepararam e participaram nesta competição em Madrid, mas todos temos que desenvolver estratégias para que as aprendizagens não fiquem em cada um de nós, que lá estivemos, mas que sejamos capazes de as fazer circular pelo maior número de nossos colegas. Outro momento muito importante do mês de Março foi a reunião com os árbitros e juízes que se fez em duas sessões, uma no Porto outra em Lisboa. Fiquei com a sensação que estará para muito breve a reorganização dos árbitros e juízes a nível nacional. Ficou clara a capacidade de diálogo entre todas as partes e vontade inequívoca de os árbitros e juízes em participar e assumir um papel decisivo na construção de uma modalidade cada vez mais evoluída. O mês de Março terminou com a Assembleia Geral para aprovação do Relatório e Contas de 2010 que, apesar de pouco concorrida por parte dos sócios da FPH, foi uma interessante oportunidade para se trocarem opiniões e se afinarem estratégias para a elaboração do próximo plano de actividades que será votado no próximo mês de Novembro. A Direcção da FPH deu conhecimento da apresentação ao Conselho Superior do Hóquei de uma proposta de atribuição dos títulos de Sócios Honorários, Sócios de Mérito e Medalhas de Dedicação. Caberá agora a este órgão a sua discussão e posterior atribuição. Uma instituição que não reconhece os seus exemplos de dedicação, acaba por a não merecer.
José Pedro Sarmento de Rebocho Lopes
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