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Janeiro 2011

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Janeiro 2011

 

Quando começa um novo ano existe sempre um sentimento de dupla antagonia de aventura e inércia. Queremos mais, melhor e novo, mas também manter, consolidar e evitar problemas. Depois de seis anos à frente da FPH, o que deve prevalecer? É difícil de decidir!

Na verdade a vida têm em todas as situações sempre um certo dualismo, fazer ou não fazer, aceitar ou reivindicar, lutar ou ceder. Mas os anos vão também ensinando que nunca, em nenhuma situação existem apenas duas opções, tomar uma decisão é muito mais olhar para um arco-íris do que nos conformarmos com o preto e o branco, ou muito menos com a solidão do cinzento.

2011 começou para o Hóquei repleto de pequenos/grandes desafios. Tivemos as selecções nacionais de sub 21 masculinos e femininos. Apesar de não temos alcançados grandes resultados desportivos, considero que foram dois excelentes investimentos para o futuro do Hóquei em Portugal.

Nos rapazes demos continuidade à equipa de há dois anos atrás e garantimos desde já um excelente grupo para o próximos europeu daqui a dois anos. Tínhamos pensado ir um pouco mais longe, mas em desporto é quase impossível controlar todos os factores. Não atingimos os objectivos, mas percebemos porque os não atingimos e o desempenho de toda a equipa técnica e dos jogadores é de enaltecer.

Nas raparigas, o saldo é ainda mais positivo. O desafio era enorme pelo facto de termos sido repescados para o Grupo A, pela juventude do grupo e pela inexperiência generalizada neste nível competitivo. Foi um processo fantástico que exigiu um arregaçar as mangas a toda a estrutura da FPH, a toda a gente se envolver e acreditar que era possível evoluir e competir de uma forma digna.

O trabalho desenvolvido por esta selecção, pela sinergia que criou em torno de todo o grupo, faz com que seja a selecção que sobre a minha chefia se organizou, que maior orgulho me deu.

Como todos sabem, a minha vida profissional não me permite acompanhar as equipas nacionais às provas internacionais, mas os dias de competição são sempre vividos de forma muito especial, sempre ligado ao telemóvel e ao site da FPH e EHF. A família, os meus colegas de trabalho e amigos já sabem que nesses dias estou sempre demasiado nervoso e agitado.

Mas vale a pena sofrer quando se tem a certeza que só com estes esforços competitivos é possível formar jogadores, treinadores e dirigentes.

Mas Janeiro é também um mês de muito trabalho com as diversas fases finais de sala, tanto nos aspectos organizativos, como administrativos. Todo o aparelho federativo tem estado completamente envolvido na preparação de toda a documentação que suporta as negociações coma tutela, para garantirmos o apoio do Estado. Nos últimos anos as exigências a este nível, não param de aumentar e só uma inesgotável energia, disponibilidade, competência e rigor, vai permitindo que a modalidade continue a sua evolução.

Para além de toda esta actividade ainda fica muita outra que, como um iceberg, não é visível, mas são elas que permitem que o iceberg navegue ao longo dos oceanos e enriqueça o ciclo da água e da vida. A vida de uma modalidade é muito exigente e não fica por um resultado, por uma má ou brilhante arbitragem, pela alegria de assistir a um bom jogo, vibrar pela nossa equipa, ou exaltar e exceder-se no apoio ou na intervenção sobre o jogo. É muito mais!

Mas, amigos hoquistas, acreditem que apesar de todas as dificuldades e limitações, podem contar com todos os meios da FPH e com todo o esforço dos seus dirigentes e funcionários, para em todas as situações darem o melhor de si mesmos, por uma única razão, porque o Hóquei é para todos nós uma paixão.


 

José Pedro Sarmento de Rebocho Lopes