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Dezembro 2010
O começar de um novo ano é um ritual ao qual não conseguimos fugir nas organizações, nestas fases é obrigatório fazer o balanço do que foi feito nos últimos doze meses e planear o que serão os objectivos dos próximos. Na FPH obviamente não escapamos a esta inevitabilidade, como também nenhum de nós individualmente na organização do nosso dia-a-dia.
Olhar para trás corresponde a um exercício simultaneamente de dever cumprido, mas também sempre de algum desencanto. Situações existiram que justificaram o esforço e o empenhamento em as viabilizar, mas outras infelizmente acabaram por se mostrarem desajustadas das expectativas com que tinham sido pensadas e implementadas.
É evidente que esta dicotomia é normal em qualquer organização seja ela lucrativa ou não, privada ou pública, desportiva ou não. Mas numa pequena federação desportiva, onde os meios escasseiam e as dificuldades sobejam, falhar ou pelo menos não atingir os objectivos propostos é altamente frustrante.
Uma destas situações foi a constatação de que não valeria a pena manter o investimento num Head Coach de nível internacional em permanência no nosso país, por de uma forma generalizada a modalidade não demonstrar disponibilidade para rentabilizar os seus serviços.
A determinada altura, na avaliação contínua dos investimentos, a actual Direcção percebeu claramente que a grande maioria dos clubes e dos jogadores e jogadoras nacionais não conseguiam aproveitar os meios que lhes eram disponibilizados para se desenvolverem com recurso aos conhecimentos e tempo de trabalho que lhes eram propostos.
À partida parecia ser uma medida indiscutível, pela sua capacidade de alavancar todos os agentes da modalidade, mas infelizmente não se confirmou, e é importante que se afirme que desta vez não foi por falta de meios, mas por uma relação de custo/benefício.
Não deixaremos de prosseguir os objectivos de melhoria do nível do jogo e dos jogadores e continuaremos a procurar soluções que melhor se enquadrem e adeqúem às nossas actuais disponibilidades e características.
No sentido contrário, ou seja em termos de medidas bem sucedidas ou até que ultrapassaram as expectativas iniciais tivemos a o projecto de apoio e implementação ao Hóquei no Desporto Escolar, uma muito bem sucedida política de comunicação e desenvolvimento do nosso site, o arranque de uma inovadora estratégia de formação de treinadores à distância, o reforço dos trabalhos permanentes nas selecções dos grupos etários mais jovens, a criação do Dia Nacional do Hóquei e a realização da 3ª Gala do Hóquei.
A não implementação das novas associações de árbitros/juízes, treinadores e jogadores, é um factor negativo, que toda a comunidade tem de assumir. Sem este passo a reforma decorrente do novo Regime das Federações Desportivas não avançará, ficando a modalidade a meio de uma encruzilhada entre o passado e o futuro do desporto nacional.
Quem durante largos meses ansiou por um recuo na efectivação desta reforma, já certamente percebeu que não haverá alternativa e que o futuro da modalidade vai passar a estar na capacidade de os seus agentes directos se organizarem e fazerem valer os seus direitos e desejos.
Por vezes quase nos apetecesse constatar que, também no Hóquei, o que um grande número pretende é apenas reclamar, mas nunca assumir responsabilidades; falar ou fazer circular emails é fácil, trabalhar no sentido de se auto-organizarem as diversas cooperações de agentes disponíveis, isso já não parece interessante e estimulante. Que pena não sejamos capazes de superar esta inércia.
Mas com mais ou menos dificuldades, não conseguimos atrasar a inevitável marcha do calendário, chegámos a 2011, estamos a 18 meses dos próximos Jogos Olímpicos de Londres, onde Portugal não vai participar em Hóquei, como certamente todos nós gostávamos, faltam cerca de 22 ou 23 meses para o próximo acto eleitoral, se nada de imprevisto acontecer, e a modalidade tem de através dos seus principais quadros assumir um plano de intervenção e de desenvolvimento.
A todos endereço os desejos de um excelente ano de 2011, repleto de sucessos pessoais, profissionais e desportivos.
José Pedro Sarmento de Rebocho Lopes
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