logo_fph_1

Subscrever Newsletter FPH


Receber em HTML?

Outubro 2012

AddThis Social Bookmark Button

Outubro 2012


E com muita determinação, paciência e alguma sabedoria que a experiência nos foi garantindo terminámos a missão que há oito anos, de forma mais ou menos ingénua e voluntariosa, aceitamos assumir.

Arrependimento nenhum, desilusão muito menos, apenas algum cansaço e alguns resquícios de desilusão. Mas muita alegria por ter conseguido chegar ao fim e saber que existe continuidade, nada se esgotou ou se extinguiu, bem pelo contrário estão abertas oportunidades em quantidade e diversidade como nunca existiram.

Nas últimas horas teve lugar o ato eleitoral mais participado da história do Hóquei nacional, participaram vinte delegados, como vão longe os tempos em que as Assembleias Gerais do hóquei se realizavam com apenas um delegado com todos os votos na sua mão. Mas infelizmente ainda faltaram elementos essenciais, pois estou certo que teria sido bem diferente se as associações ainda não existentes de jogadores, árbitros e treinadores já tivessem participado.

Mas, apesar de tudo, penso que ainda foi possível escolher entre o futuro e o passado do hóquei. A democracia permite que todos tenham as mesmas possibilidades, mesmo que para alguns as opiniões e os pontos de vista contrários não possuam qualquer validade ou consistência. Mas sermos democratas é isso mesmo, respeitar minorias e, acima de tudo, aceitar a forma se como podem polarizar interesses diversos e até respeitáveis e convenientes, com instintos de sobrevivência e sem qualquer respeito pela vontade de evoluir e crescer.

Mas, como habitualmente a gíria popular afirma, “Deus é grande e não dorme”, e num último assumo a comunidade do Hóquei nacional lá percebeu o que verdadeiramente estava em causa e temos uma solução credível e capaz de enfrentar todas as dificuldades, que todos sabemos nos esperam ao dobrar da esquina.

Para mim, termina uma responsabilidade imensa, para a qual já não sentia a mesma motivação de outros tempos, isto apesar do último ano e meio ter reencontrado um caminho de auto motivação que permitiu levar o barco a bom porto e mesmo ter alcançado os momentos mais interessantes do ponto de vista competitivo.

Não posso esquecer em 2012 a forma intensa e apaixonada como vivi o europeu de sala em Gondomar, o Europeu de sub 21 no Jamor e a World League em Lousada. Por mais que alguém tente agora descolorir esta trilogia de resultados internacionais, eu e muitos hoquistas continuaremos nos próximos tempos a saborear o prazer do dever cumprido e da irrefutável obra feita.

Mas, neste momento de despedida um professor de formação e de convicção não consegue resistir a apenas um conselho a todos dirigentes do Hóquei, que nunca se confundam, em qualquer obra digna desse nome, os seus operários são sempre temporários, o que permanece é obra. E, em muitos casos, pela sobrevivência da obra coletiva, tem de se distanciar do que só é capaz de pensar em si mesmo, como o centro do mundo.

As maiores felicidades para o Hóquei e para todos os hoquistas portugueses.

 

José Pedro Sarmento de Rebocho Lopes