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"Consultório" com Jorge Pinto de Sousa - Fadiga

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Por: Jorge Pinto de Sousa (Médico)

Título: Fadiga

Está de volta a rubrica de saúde/performance desportiva da FPH.

No primeiro "Consultório", Jorge Pinto de Sousa falou sobre a importância da hidratação na prática desportiva e os cuidados a ter antes, durante e após o jogo. Agora, no segundo "Consultório", Jorge Pinto de Sousa aborda a fadiga neuro muscular, um assunto de elevada importância no rendimento do(a) atleta.

Nota: se tiver questões/dúvidas que gostaria de ver esclarecidas/aprofundadas, sobre este artigo ou qualquer outra temática, por favor envie um e-mail com as mesmas para deptcomunicacao@fphoquei.pt

 

A Fadiga Neuro muscular é a incapacidade do músculo esquelético gerar ou manter elevados níveis de força muscular no tempo.

Trata-se, segundo alguns Autores, de uma adaptação ao esforço prolongado ou intenso como «protecção» contra efeitos deletérios da integridade da fibra muscular.

 

  • Classificação

Central

Alterações do Input neuronal que chega ao músculo: Redução progressiva da velocidade e/ou frequência da condução do impulso ao moto neurónio muscular;

Diminuição da frequência do disparo dos moto neurónios;

Défice na condução do impulso a partir das regiões superiores do cérebro Diminuição da actividade cortical.

Periférica

Alterações da homeostasia no próprio músculo esquelético com decréscimo da força contráctil independentemente da velocidade de condução do impulso neuronal;

Acentuada diminuição da força relativa gerada pelas fibras quando estimuladas a baixa frequência;

Recuperação lenta da força;

Persistência de sinais de fadiga na ausência de distúrbios eléctricos ou metabólicos: «Long lasting fatigue».

 

  • Sinais ou sintomas que os atletas podem apresentar quando em fadiga ou «sobretreino»

Dificuldade de recuperação após esforços;

Diminuição do rendimento;

Aumento da frequência do Pulso em repouso;

Aumento da frequência do Pulso matinal;

Aumento da incidência de lesões musculares;

Irritabilidade;

Dificuldades de concentração;

Insónia;

Anorexia (perda do apetite);

Polidipsia («excesso» de sede);

Alterações gastrointestinais.

 

  • Alterações Analíticas

Os principais indicadores da instalação da fadiga são:

Aumento da CK (relacionado com alterações da membrana);

Subida da Relação Cortisol/Testoesterona.

Também se verifica:

Aumento da Ureia;

Aumento do Ácido Úrico;

Aumento do Hematócrito;

Aumento da Proteinúria;

Mioglobominúria;

Aumento dos 17 cetoesteróides urinários;

Aumento do Potássio no sangue (porque o K+ intracelular DIMINUI);

DIMINUIÇÃO da Testoesterona.

 

  • Causas

A causa é sempre a diminuição da disponibilidade de substractos energéticos que influencia os processos de transporte electroquímico celular por:

Alterações do pH (o Ác. Láctico de per si não parece ser indutor de fadiga, só indirectamente por aumentar a concentração de Hidrogeniões e fazer baixar o pH);

Alterações da Temperatura;

Alterações do fluxo sanguíneo;

Acumulação de produtos do Metabolismo Celular, p. ex. AMÓNIA;

Alterações da cinética de alguns Iões Extra celulares como o Potássio, Sódio, Cloro e Magnésio;

Lesões musculares induzidas pelo exercício com predomínio das contracções excêntricas;

Stress Oxidativo.

 

  • Abordagem

Saber reconhecer a fadiga;

Diminuir a intensidade e/ou volume de treino;

Repouso adequado;

Boa hidratação;

Alimentação equilibrada e rica em Hidratos de Carbono porque estes atrasam a manifestação de fadiga central por aumentarem os níveis de Glicose plasmática e reduzirem os níveis de Triptofano (TRP) livre.

São também frequentemente utilizados no sentido de melhorar a recuperação entre esforços e atrasar a instalação da fadiga, os Aminoácidos de cadeia ramificada como a Leucina, Isoleucina e Valina por diminuem as concentrações plasmáticas e cerebrais de Amónia e Triptofano (TRP) livre que são potentes agentes de fadiga central, a Cafeína porque bloqueia os receptores da Adenosina que é um potente inibidor da excitação do S.N.C. e a Glutamina.