REFLEXÃO SOBRE OS CAMPEONATOS NACIONAIS INDOOR

Terminou, com as fases finais de sub-11 e sub-16, disputadas, no passado fim de semana, no Pavilhão Municipal de Lousada, a parte da época desportiva 2018/2019 dedicada à variante indoor em todos os escalões etários.

 

Rijamente disputadas em Lisboa, Cascais, Paredes e Lousada, constituíram momentos de grande empenho por parte das equipas e entusiasmo por parte do público.

 

Permitiram também que o staff da FPH enfrentasse a realidade atual, face às recentes saídas de dois colaboradores de excelência. Foi possível responder a todas as solicitações organizativas, de forma expedita, apenas porque o DTN, Hugo Santos, e a estagiária, Patrícia Ângelo, não se pouparam, não se acomodaram, foram resilientes, atuaram com proficiência e foram idóneos no cumprimento das múltiplas funções, e tiveram também o grande mérito da motivação que conseguiram imprimir nos voluntários, dentre os quais emergem os alunos do AE de Vilela. Os meus agradecimentos a todos.

 

Mas falar sobre este campeonato é também anunciar a manifestação de força do CF Benfica nos escalões de formação (venceu três dos quatro escalões), é mencionar os dois títulos para a AD Lousada (seniores masculinos e sub-18) e registar o primeiro título indoor do GD do Viso (seniores femininos).

 

E é também saudar o aparecimento da Academia Johnson (terceira em sub-11) e do Agrupamento de Escolas de Paço D'Arcos (que participou como convidado, em regime experimental, e arrecadou três vitórias) e o reaparecimento da Associação Académica de Espinho, que tão boa conta deu de si no escalão de sub-18.

 

Falar de vencedores será sempre falar dos vencidos, que acrescentam um inestimável valor aos vencedores. O Casa Pia AC e o Lisbon Casuals HC foram dignos vencidos (custa sempre mais aceitar a derrota quando somos candidatos assumidos e nos orgulhamos do que produzimos durante toda a época). E foram bravos na discussão do título, exemplarmente em seniores masculinos e seniores femininos, respetivamente, colocando as finais a um nível de excelência.

 

Excelência de que terão aproveitado nas competições europeias de clubes a AD Lousada e o Lisbon Casuals HC.

 

Em Oslo, os lousadenses despacharam só com vitórias o Eurohockey Indoor Club Challenge I Men, o Lisbon Casuals HC foi a França para conseguir excelente 4.º lugar no Eurohockey Indoor Club Challenge I Women. Ambos os clubes estão de parabéns, merecem o agradecimento da modalidade pela imagem que mostraram do hóquei português nas suas prestações.

 

Sem deixar de salientar o brilhantismo da AD Lousada, seja-me permitido enaltecer as ladies do Lisbon Casuals HC: com a competição possível em Portugal, foram identicamente luzentes. E a FPH considera que agregar na competição nacional as equipas femininas de seniores com os sub-18, ao invés de com os sub-15, lhes trouxe um cúmulo de competitividade, bem aproveitado aliás, como se viu.

 

Relativamente às arbitragens, conseguiu-se uma mescla de árbitros mais tarimbados com um núcleo de jovens. Registo o sentido de dever e de identificação com a causa do hóquei nacional, todos foram dedicados.

 

Como rescaldo, ficamos com visão do que está bem, do que pode melhorar e do que deve corrigir-se sem demora, sob pena de entrarmos numa espiral negativa, não só nefasta para o progresso da modalidade, mas tendo a certeza de que, se não fizermos nada, corremos o risco de dissolver o hóquei, tornando-o residual. Penso que os exemplos mais recentes a nível internacional, por parte das seleções nacionais e clubes portugueses, exigem que encaremos a reestruturação do hóquei português sob um paradigma mais positivo.

 

Mas quaisquer medidas terão sempre de envolver os clubes. Não adianta a FPH andar a pugnar no vazio ou a pregar no deserto. É tempo de se dar voz aos clubes para que eles nos digam o que efetivamente estão dispostos a dar, até que ponto estão disponíveis para se sacrificarem, juntar forças e não a digladiarem-se em nome de um clubismo exacerbado.

 

Nesse sentido, patrocino um primeiro contacto exploratório do Departamento Técnico com os responsáveis dos clubes, tendo em vista uma reunião alargada de dirigentes, seccionistas, capitães de equipa e Conselho de Arbitragem, donde possam sair propostas concretas sobre temas sensíveis da modalidade, como formação, competição e arbitragem. Sempre numa perspetiva de consenso e de defesa integral do hóquei como modalidade olímpica.

 

 

Armindo de Vasconcelos

Presidente da FPH

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